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7 de agosto de 2010

VIAGENS DE CLAUDIA - Revista Elas e Lucros n. 14

Presentes de viagem: passe longe

Gastos com lembrancinhas, além de pesar em seu bolso, nem sempre agradam ou servem à pessoa presenteada

Poucas horas depois de desembarcar pela primeira vez em Buenos Aires para passar um feriado de quatro dias, já estava literalmente socada em uma loja de fábrica de malhas de lã. Preciso fazer um parêntese: é impressionante como as cifras exercem força sobre nossa mente. Se o produto é barato, encaramos sem ao menos questionar a real necessidade e conveniência de adquiri-lo naquele momento. Nos primeiros 20 minutos, depois de levar 50 cotoveladas de outros brasileiros desesperados, um a zero para a loja. Ou melhor, cinco a zero para a loja, pois eu havia decidido comprar cinco malhas de lã masculinas, para presentear os homens da família. Levei ainda mais 20 ou 30 minutos, pois precisava escolher as cores, e nem todas as cores estavam disponíveis em todos os tamanhos, e nem todos os tamanhos eram condizentes com as pessoas que seriam presenteadas, e, ainda, havia outra pessoa que estava segurando a manga da mesma malha que eu segurava. Chamaria a isso de guerra. Escolhi para o meu pai uma malha vermelha. Vermelha, não: marrom. Pensando melhor, terracota. Ou, de repente, ferrugem. A realidade é que nunca havia visto meu pai vestindo qualquer uma dessas cores. A única notícia que tenho do meu pai usando uma blusa vermelha remonta os anos 70 e advém de um boato familiar segundo o qual meu avô materno implicava com a camisa vermelha do meu pai. Coisa de rebelde ou revolucionário, pensava ele. O fato é que as malhas, na realidade, não tinham a cara de ninguém... Ou tinham a cara de todo mundo. Impessoais... Essa é a palavra!  Elas eram presentes absolutamente impessoais. 
E agora vou direto ao ponto. Vale a pena se desdobrar para comprar presente para toda a família e para os amigos simplesmente porque criamos o dever de trazer lembrancinhas de viagem? É razoável perder horas de suas tão esperadas férias e sola de sapato à procura de presentes? Faz sentido sair comprando presentes simplesmente porque temos uma lista a cumprir? 
Antes de começar a responder, vou esclarecer algo: adoro comprar e ganhar presentinhos de viagens! É uma demonstração de carinho deliciosa, por meio da qual quem presenteia declara que se lembrou do outro em momento e lugar especiais. Sem falar no imensurável prazer que é receber algo absolutamente inédito, made in qualquer outro canto do mundo que não o Brasil.
O que quero dizer é  que a busca de presentes não pode se tornar um martírio a ponto de atrapalhar sua viagem. Algo que supostamente é legal torna-se pura preocupação. Corre-corre no fim da viagem para completar a lista de presentes é prática mais comum do que se imagina.
Depois, qual é  o problema de comprar aquela fivelinha linda que você viu e é a cara de uma de suas amigas e acabar não trazendo nada para as outras, porque não encontrou nada que tivesse a ver. Por isso, eu aconselho: se você encontrar algo que efetivamente se relaciona com a pessoa a ser presenteada, ótimo. Ela ficará feliz e você também. Mas, se não rolar, tudo bem. Curta a sua viagem, sem ficar na paranoia da lista de presentes. E, quando sua irmã, amiga ou mãe forem viajar, encha o peito e fale com sinceridade: não precisa se preocupar! Com certeza, a viagem delas será mais leve.
Ah, sobre a malha vermelha-marrom-terracota-ferrugem: no mês passado, quase seis anos depois de sua compra, topei com ela absolutamente intacta no guarda-roupa da minha avó, que, diga-se por sinal, tem metade do peso do meu pai. Minha mãe, colocando a blusa em frente ao corpo, comentou: “Lembra dessa blusa? Ela não serve em ninguém!”. Lembro, oh, se lembro.

22 de julho de 2010

Uma viagem que cabe no seu bolso - 21.07.2010

Vale à pena pagar despachante para tirar seu passaporte? Como conhecer melhor seu destino para não se arrepender depois? Clique aqui e ouça essas dicas: Programa de 21.07.2010.

18 de julho de 2010

A melhor pizza: concurso do Diário de São Paulo

Amantes da gastronomia apontam 31 bons sabores
Por Andrezza Arnone, matéria publicada no Diário de São Paulo em 18.07.2010

Profissionais e amantes da gastronomia tiveram uma dura, porém gostosa, missão nesta semana. Formado por Breno Lerner, Claudia Kronka Gazel, Francesco Tridico, Neide Rigo, Pedro Martinelli e Silvio Lancelotti, o comitê percorreu os quatro cantos da capital para avaliar todos os sabores de pizza indicados por leitores e internautas na primeira fase do concurso do DIÁRIO que vai eleger a melhor redonda de São Paulo.
Eles encontraram de tudo em tal maratona pela capital. Pizzas de massa fina, média e grossa, crocantes, macias, e até em formato quadrado. Isto, além de coberturas das mais variadas, que foram das tradicionais mussarela, calabresa e marguerita ao salmão com alho poró, passando por abobrinha, brócolis e presunto Parma. Não faltaram elogios a nenhuma delas.
Nas visitas que a equipe fez aos estabelecimentos, três aspectos da pizza foram analisados: massa (dentro da proposta de cada estabelecimento), recheio (quantidade, qualidade e sabor) e temperatura em que chegou à mesa (ou em casa, no caso dos deliveres). E a tarefa foi bastante trabalhosa. Tanto que em vez de selecionar 25 — como dissemos logo no início do concurso, no fim do mês de junho — o grupo de especialistas optou por listar 31 pizzas (veja ao lado), por causa de alguns empates nas pontuações.
Apenas estas seguem para a terceira e última etapa da competição, que consiste no voto popular. Até o dia 23, sexta-feira, a relação das pizzas selecionadas pelo júri fica disponível no site do jornal (www.diariosp.com.br). E o público pode escolher uma única, a que considera ser a melhor. A pizza medalha de ouro será divulgada no jornal e no site, no próximo domingo, dia 25 de julho.


Para ler a reportagem na íntegra e conhecer as pizzas finalistas, clique aqui.

17 de julho de 2010

Deixe o cartão de crédito no hotel ou ....

... traga uma linda torradeira, com a garrafa térmica combinando para casa!!!


Essa foto não está aqui por acaso. No programa de 14.07.2010 na 107,3 FM contei que junto com  o carrinho de feira que aparece na fatídica foto do post "porque deixar o cartão de crédito no hotel", também trouxe comigo de Paris essa torradeira maravilhosa, que além de ser peça de decoração, também faz torradas!!! Ah, e a garrafa térmica....não pude deixar de trazer também!

12 de julho de 2010

Por quê deixar o cartão de crédito no hotel?!?!

É por essas e outras que eu digo e repito: deixe o cartão de crédito no hotel.

 
Obs. 1 - Foto auto explicativa: retorno de férias na Europa
Obs. 2 - Os móvéis, o vaso, a tv e a planta já estavam em casa, eu não trouxe no avião.

30 de junho de 2010

Uma viagem que cabe no seu bolso - 30.06.2010

Quer fugir da cilada do cartão de crédito quando for para a Europa? Então ouça as minhas dicas no programa Elas e Lucros de hoje, às 8:40, na 107,3 FM. Para ouvir, clique: Programa Elas e Lucros - 30.06.2010.

26 de junho de 2010

Dicas de planejamento de viagem: Europa

 Para quem perdeu o programa na 107,3 FM na última quarta-feira, ou para quem ouviu mas não teve tempo de anotar, seguem dicas para tornar possível aquela viagem para a Europa que você tanto sonha.

1. Programe-se com antecedência e, se possível, fuja da temporada: aconselho que a viagem seja programada com, no mínimo, de 3 a 4 meses de antecedência. Há quem me acuse de ser certinha, organizadinha demais - Sra. Providência, brinca uma amiga - mas numa viagem agendada de última hora, você certamente pagará o preço da urgência.

2. Fique de olho em promoções de passagens e hotéis pela internet: há sites de hotéis e companhias aéreas que fazem ótimas promoções exclusivamente pela internet. Pequenas variações de datas, bem como o tempo de permanência em um hotel podem fazer a diferença na hora de conseguir promoções. E lembre-se: quantos mais destinos você for visitar, mais irá gastar com locomoção. Para viajar dentro da Europa, consulte as companhias low fare, que têm preços acessíveis. Não se esqueça que geralmente o limite de bagagem para vôos internos é de, no máximo, 20 quilos, e o valor cobrado pelo excesso, quando permitido, é exorbitante - chega a dar para viajar de novo!

 3. Considere a possibilidade de alugar apartamento ao invés de hospedar-se em hotéis: dependendo da quantidade de pessoas, as diárias podem até ser mais baratas. Além disso, há outro fator que pode contribuir no orçamento: hospedado em apartamento, você poderá fazer refeições em casa - ótimas refeições, por sinal. Não é diverdido e interessante perambular pelo supermercado em  outro país, frequentar a mercearia e a padaria do bairro ou explorar a feira livre, trazendo artigos fresquinhos na sacola?  Some o útil ao agradável: economia + conforto + cultura local (comida é cultura).

4. Seguem alguns sites para reservas de passagens, hotéis e apartamentos. Da lista abaixo, já testei e recomendo Holiday Velvet, Secret Places, Ibis Hotel, Easy Jet e A-partments.

Para passagens e hotéis: Submarino Viagens; Decolar.com

Para passagens de trechos dentro da Europa (cias. low fare): EasyJet; Vueling; Ryanair; Air Europa.


Para apartamentos: Holiday Velvet; Feel Paris (aptos. em Paris); A-partments (aptos em Amsterdam)

Para hotéis de charme (se estiver disposto a gastar um pouco mais): Secret Places; Rusticae; Relais du Silence

5. Ouça a coluna Uma viagem que cabe no seu bolso no programa Elas e Lucros de 23.06.2010, na 107,3 FM.

 Apartamento em Amsterdam, alugado pelo Holiday Velvet

23 de junho de 2010

Ouça a estréia da coluna Uma viagem que cabe no seu bolso

Hoje estreiei uma coluna sobre viagens no Programa Elas e Lucros, na 107,3 FM (de seg. a sex. das 8 às 9h):  "Uma viagem que cabe no seu bolso". Todas às quartas-feiras, por volta das 8:40h., vou dar dicas de como se programar, ajudando você a fazer com que a viagem dos seus sonhos caiba no seu bolso.

Para ouvir na íntegra o programa de hoje, clique: Programa Elas e Lucros - 23.06.2010.

22 de junho de 2010

Uma viagem que cabe no seu bolso

Estréia amanhã minha coluna "Uma viagem que cabe no seu bolso" no Programa Elas e Lucros, apresentado por Andrea Assef na 107,3 FM. Ele vai ao ar de segunda à sexta das 8 às 9 h, e minha coluna será durante o programa de quarta-feira. Se pretende viajar nas  próximas férias, estajam elas perto ou não de acontecer, minhas dicas poderão te ajudar. Você vai ver que, com planejamento, Paris, Roma ou Londres sao bem mais acessíveis do que imaginava. Até lá!


A Provence imortalizada pelo Pós-impressionismo

Este texto está na Revista Legado, Ano IV, número 13, publicada este mês. É uma publicação da  Editora Letras & Lucros.

A exuberância da região inspirou grandes mestres como Van Gogh, Matisse, Picasso e Paul Cézanne com o colorido de sua vegetação, suas montanhas, suas paisagens litorâneas e vilas aconchegantes.


E, na medida em que viajamos em busca da beleza,
as obras de arte podem de modo discreto 
começar a nos influenciar com relação aos
lugares que gostaríamos de visitar.
Alain de Botton, em A Arte de Viajar

 Guiados pelos mais diversos motivos, importantes pintores foram levados à Provence nos séculos XIX e XX. Seduzidos pelas luzes e cores intensas, proporcionadas pelo sol do clima mediterrâneo, o trabalho deles retratou a alma provençal: a exuberância natural da privilegiada região, com suas vibrantes paisagens litorâneas, o interior montanhoso salpicado de aconchegantes vilas e inspiradora e colorida vegetação.
Tais características fazem atualmente da Provence um dos destinos turísticos preferidos na Europa.

CÉZZANE


Ao contrário de outros pintores que se dirigiram à Provence – é o caso de Van Gogh, Matisse e Picasso – Paul Cézanne é natural da região. Nasceu na cidade de Aixen- Provence, em 19 de janeiro de 1839 e lá permaneceu até 1861. Naquele ano, influenciado pelo amigo de colégio Émile Zola, Cézanne partiu para a capital francesa em busca de desenvolvimento artístico, abandonando os estudos de Direito, que seguia para satisfazer os anseios paternos.
Durante os anos de colégio, previamente à partida de Zola para Paris, em 1858, Cézanne, Zola e Baptistin Baille aproveitavam os fins-de-semana no campo, devorando poesia e tornando-se efetivamente parte da natureza.
O pai de Cézanne adquiriu em 1859 a propriedade chamada Jas de Bouffan. Na época com vinte anos, o pintor já espiava e admirava a Montanha Sainte-Victoire.
Em Paris, Cézanne conheceu o pintor impressionista Camille Pissarro da Academia Suíça. Pissaro tornou-se seu mentor.
Em 1863, após ser recusado no Salão de Paris, o pintor expôs no Salão dos Recusados. Somente em 1882, e pela única vez em toda sua carreira, o artista é aceito no Salão de Paris e exibiu o Retrato de Louis-Auguste Cézanne, pai do artista.
Durante essas duas décadas, Cézanne alternava-se entre Paris, Aix e Estaque, vila marítima próxima a Marseille.
Em abril de 1886 ele se casou com Hortense Fiquet, com quem convivia há dezessete anos. Com a morte de seu pai, em outubro daquele ano, o artista passa a viver definitivamente em Aix, iniciando assim a fase essencialmente provençal de sua obra.
Em 1887 o pintor alugou um quarto no Château Noir e passou a explorar sistematicamente o campo e retratou, de maneira incansável, a Montanha Sainte-Victoire – fala-se em sessenta quadros.
Em 1895 ele alugou uma pequena casa em Bibémus, e continuou a trabalhar em seu tema predileto, as paisagens do campo, ainda obcecado pela Montanha Sainte-Victoire.
Após a morte de sua mãe e a venda de Jas de Bouffan, ele se estabeleceu em um apartamento na Rue Boulegon.
A partir de 1901 ele trabalhou em seu estúdio no Chemin des Lauves, de onde possuía uma vista magnífica da Sainte-Victoire e da cidade de Aix. Em 23 de outubro de 1906, Cézanne morreu vítima de pneumonia, após uma forte tempestade que o apanhara no campo. Viveu e morreu no campo, o seu lugar.

Cézanne nos arredores de Aix-en-Provence
› Jas de Bouffan A propriedade pertencente à família Cézanne nos anos de 1859 a 1899 pode ser visitada somente por meio de visita guiada. Para reservas, procure pelo Office de Tourisme.
› Pedreira Bibémus Há relatos de que Cézanne já frequentava o lugar desde a adolescência, acompanhado de Émile Zola. A partir de 1895 o pintor arrendou ali uma pequena propriedade. Uma diferente e estonteante visão da Sainte-Victoire se revela no local.
› Estrada Tholonet e Château Noir A Rota de Cézanne, como é chamada, oferece vista privilegiada da Sainte-Victoire e beira o Château Noir.
› Sainte-Victorie vista de Lauves Próxima ao estúdio alugado por Cézanne em 1901 pode-se chegar ao ponto exato em que o pintor montava seu cavalete, bem de frente para Sainte-Victoire.
› Office de Tourisme Para obter o mapa da região, se for se locomover de carro, ou para visitas guiadas a estes lugares, visite o Office de Tourisme, no centro da cidade. Place du General De Gaulle, 2 – tel. 33(0) 4 42 161 161 www.aixenprovencetourism.com.

VAN GOGH



 Nascido nos Países Baixos, em 20 de março de 1853, Vicent Willem Van Gogh em sua juventude interessou-se por assuntos religiosos, tendo cogitado formar-se padre. Mas por volta dos 27 anos, acreditando que a pintura poderia guiá-lo a Deus trocou a ideia do claustro pelos pincéis. Ganhou a pintura, ganhou a humanidade.
Sempre sustentado pelo irmão mais novo Theo, com quem manteve por toda a vida forte elo afetivo, Van Gogh se dedicou aos estudos das artes na Holanda e na Bélgica.
Somente em março de 1886 ele decide morar com Theo, que era marchand em Paris. Os irmãos dividem um apartamento em Montmartre, bairro parisiense preferido dos artistas na época, e Van Gogh passa a ter contato com Paul Gauguin, Henri de Toulouse-Lautrec, Emile Bernard, Camille Pissarro e John Russell.
Depois de dois anos em Paris, Van Gogh decide mudar- se para Arles, no sul da França. Sentia-se pouco à vontade na grande cidade com seu burburinho artístico e cultural. Embora tenha ficado por apenas quinze meses em Arles, o período foi determinante em termos de produção artística: aproximadamente 200 quadros, 100 desenhos e duzentas cartas. São desta época a Casa Amarela, O Quarto, A Cadeira de Gauguin, a série de telas intitulada Os Girassóis e tantas outras paisagens de árvores em flor, colheitas de trigo e noites estreladas.
De fato o pintor trabalhara demais à época, comparando-se a um lavrador sob o sol escaldante ou até mesmo a uma cigarra. Como resultado, Van Gogh retratou, na visão do próprio artista, aquilo que até então outros pintores provençais não haviam logrado êxito em retratar: a intensidade das cores, vivas e contrastantes. Vários tons de laranja, amarelo, vermelho, verde e azul passaram a ser utilizados de forma a maximizar o contraste.
Alain de Botton, em relato de viagem à região, declarou: “Meus próprios olhos se sintonizaram para ver a minha volta as cores que dominavam as telas de Van Gogh. Para onde eu olhasse, via cores primárias em contraste. Ao lado da casa, havia um campo roxo de alfazema ao lado de um trigal amarelo. Os telhados das construções eram laranja em contraste com um céu de um azul total. Verdes prados eram salpicados de papoulas vermelhas e cercados de espirradeiras”, ( A Arte de Viajar, pág. 212).
Em dezembro de 1888 deu-se o incidente em que Van Gogh cortou a própria orelha. Ficou internado por 14 dias no hospital de Arles, e depois foi internado em Saint-Remy, com quadro de depressão agravado, onde ficou pouco mais de um ano. Morreu apenas um ano e meio após o incidente, em julho de 1890, em Auvers, após atirar no próprio peito e murmurar a Theo: “La tristesse durera toujour” (A tristeza durará para sempre).
Mas em sua curta existência o artista atingiu seu objetivo: pintar o sul e torná-lo conhecido pela sua obra.

Van Gogh em Arles
› Espace Van Gogh - Place du Docteur Félix-Rey - tel.: 33 (0)4 90 49 39 39. A construção que data dos séculos XVI e XVII, abrigou o hospital da cidade, Hotel Dieu Saint-Espirit. O pintor ficou hospedado nele após cortar a própria orelha. O colorido jardim, aberto à visitação durante o dia, é muito semelhante à imagem retratada por Van Gogh em um de seus quadros.
› A Casa Amarela - Place Lamartine, 2. Pouco sobrou da construção que foi habitada pelo pintor. Mas é possível identificar o local.
› Café van Gogh - Place du Forum Arles. O atual Café Van Gogh, anteriormente denominado Café Terrace, foi reproduzido em 1888 pelo pintor, que costumava fazer várias de suas refeições ali. Trata-se de uma de suas obras mais famosas e conhecidas.
› Ponte Van Gogh - Canal d’Arles à Bouc. Localizada a alguns quilômetros da cidade, a Ponte Pencil, à época chamada Ponte Langlois foi pintada por Van Gogh, inspirado no estilo da pintura japonesa.
› Office de Tourisme d’Arles - www.arles-tourisme.com As informações detalhadas acerca das atrações turísticas podem ser obtidas na Oficina de Turismo da cidade. Lá também é possível agendar um tour completo, seguindo “os passos de Van Gogh”. As inspiradoras paisagens pintadas por Van Gogh, como as plantações de oliveiras que deram origem ao quadro Oliveiras com os Alpilles ao fundo, de 1889, fazem parte do passeio.

Explore a região
› Les Baux de Provence - localizado em Alpilles, região montanhosa, o minúsculo povoado fica encravado nas montanhas de calcário, aos pés das ruínas do antigo castelo de onde se tem uma vista deslumbrante incluindo as infindáveis plantações de oliveiras, de um verde aveludado. Há duas opções agradabilíssimas de hotel:
› L’Oustau de Baumanière - tel.: +33(0)4 90 54 33 07 www.oustaudebaumaniere.com. Hotel quatro estrelas no coração dos Alpilles, que oferece serviço de spa e alta gastronomia.
› La Cabro D’or - tel. : +33 (0)4.90.54.33.21 - www.lacabrodor.com.
› Maussane-les-Alpilles - Charmosa e calma, a cidade fica a quinze minutos de Les Baux de Provence.
› Moustier Sainte-Marie e Gorge du Verdon – pequena cidade encravada nas pedras, num desfiladeiro grandioso e que pode ser ponto de partida para o Cânion do Rio Verdon e a Route de Crêtes (D - 23), que oferece os melhores pontos para se ver o rio.

13 de junho de 2010

Três Dias Perfeitos em Milão - Viagem e Turismo


Este texto foi publicado no Guia Temático O Barato da Itália - Viagem e Turismo - Ed. Abril, que está nas bancas desde 01.06.2010 e também pode ser adquirido no site da Loja Abril.

TRÊS DIAS PERFEITOS EM MILÃO

Parque, castelo, obras de arte, bons restaurantes e muitas vitrines de grife num roteiro completo pela capital italiana da moda a menos de € 50 por dia

Verdade seja dita (e sem rodeios): Milão é uma das cidades mais caras da Europa e, sem dúvida, a mais cara da Itália. Líder no país em termos de dimensão, educação universitária, programação cultural e atividade política, sua região metropolitana é o sistema nervoso da economia do país. Estrategicamente localizada, é a sede de aproximadamente 200 bancos italianos e outros 40 estrangeiros. De igual importância são os setores fashion e de design. Hoje há aproximadamente 12 mil empresas dedicadas ao mundo da moda, 800 showrooms e 6 mil outlets. Referência para o design internacional, o Salão Internacional do Móvel de Milão recebeu, na edição de 2009, pleno ano de crise, cerca de 300 mil visitantes. Em outras palavras: Milão cheira a dinheiro e negócios. Mas também – e eis a parte que mais interessa – a boa comida, bons vinhos, belas obras de arte. E é possível, sim, se divertir muito gastando pouco. Para ver de tudo um pouco, três dias são suficientes – inclusive com escapada às lojas, já que ninguém é de ferro. Ainda que seja só para namorar as vitrines...

DIA 1 - grandes postais

O roteiro pode começar com uma visita ao Duomo ((Piazza del Duomo, 02/7202-3375, duomomilano.it;  catedral: 7h/19 h, telhado: 9h/17h45; € 5 pelo elevador, € 3,50 pelas escadas ), uma das maiores e mais impressionantes catedrais góticas do mundo, que começou a ser erguida no século 14. Vá com calma e inclua no passeio a indispensável subida ao telhado, que pode ser de escada ou elevador. Os dois caminhos levam ao mesmo lugar: a maravilhosa vista da cidade (com sorte, terá os Alpes como pano de fundo) e a inigualável sensação de pisar no telhado da terceira maior catedral do planeta, que levou quase 430 anos para ser finalizada, em 1813.
Logo ao lado do Duomo fica a Galleria Vittorio Emanuele II (Piazza del Duomo), que liga a Piazza del Duomo à Piazza Scala. Construída no século 19 por Giuseppe Mengoni, é o símbolo da elegância dos milaneses. Homens engravatados em seus ternos bem cortados e mulheres em seus tailleurs e calçando o sapato da moda – com salto altíssimo, claro – dividem espaço com os turistas abastados que invadem as lojas de marcas famosas (ali fica a primeira loja da Prada, por exemplo) e outros que vão apenas olhar e encaram, no máximo, um cafezinho ou um delicioso gelato italiano (se você se encaixar nessa categoria, não deixe de provar o sabor de pistache, ultra macio, por € 6). É supersticioso? Então procure no chão, no centro da Galleria, o touro que tem fama de transmitir fertilidade. Basta colocar um de seus calcanhares sobre os testículos do animal e girar no próprio eixo. Não se preocupe com o mico, milhares de pessoas repetem esse ato todos os dias. Quanto aos resultados, aí já é outra história...
Dali, a pedida é seguir para a Piazza Scala, onde fica o impressionante Teatro alla Scala, casa de ópera construída entre os anos de 1776 e 1778. E, mais adiante, você pode adotar um dos melhores passatempos milaneses: a arte de lamber vitrines. Pegue a Via Alessandro Manzoni, percorra a Via Montenapoleone, a Via della Spiga e a Corso Venezia, que juntas, formam o “Quadrilátero de Ouro” onde estão reunidas as grandes grifes do mundo. Muitos cifrões para o seu bolso? Nesse caso, vale voltar em direção ao Duomo pela Corso Vittorio Emanuele II, onde as lojas sob as arcadas são bem mais acessíveis que as marcas do quadrilátero.
A essa altura, como a fome já deve ter batido, a dica é o Panzerroti Luini (Via Santa Redegonda, 16, 02/8646-1917, luini.it; 2ª 10h/15h, 3ª/sáb. 10h/20h), a melhor fast-food de Milão, que existe desde 1949, quando a família de Giussepina Luini mudou da região da Puglia para a cidade. Panzerotti é uma pizza frita crocante, com recheios variados (o de queijo com tomate é imperdível). Não se assuste com a fila: ela é grande, mas é rápida! E o bolso vai agradecer a experiência: a refeição sairá a € 7. Você terá de se virar por ali mesmo, encostado em alguma vitrine, ou até mesmo sentado na calçada, como os milaneses.
Aproveite a tarde para dar mais uma volta pelo centro histórico e visitar a Pinacoteca Ambrosiana (Piazza Pio XI, 2, 02/806-921, ambrosiana.it; 3ª/dom 10h/17h30h; € 7,50) para conferir, entre outras, as obras de Caravaggio e Botticelli.  Perto dali fica a loja Peck (Via Spadari, 9, 02/802-3161, peck.it; 2ª 15h30/19h30, 3ª/6ª 9h15/19h30, sáb. 8h45/19h30; Cc: A,D,M,V), um famoso empório para quem curte cozinhar e comer. Caso tenha se empolgado e prefira uma tarde de compras, a Via Torino tem boas lojas de grandes redes, como a Zara, a H&M, a Fnac e a Promod. Outro destaque é a Rinascente (Piazza Duomo, 02/885-2471, rinascente.it; 9h30/22h; Cc: A, D, M, V), loja de departamentos perto do Duomo que reúne uma série de marcas. No último andar, além de encontrar várias guloseimas para trazer na mala, você pode escolher entre restaurantes ou bares para tomar um aperitivo e jantar bem ao ladinho das torres da catedral. O Il Bar, com boas massas e risotos, é uma ótima pedida (€ 22 por pessoa, com taça de vinho e couvert). As luzes do Duomo acesas vêm de brinde...

Faça as contas
Transporte (bilhete diário de metrô): € 3
Entradas para as atrações (com a subida ao Duomo pelas escadas): € 11
Refeições: € 35
TOTAL: € 49

DIA 2 - Arte e parque

Com a visita já agendada previamente, programe-se para chegar à Chiesa Santa Maria delle Grazie (Piazza Santa Maria delle Grazie, 2, 02/9280-0360, cenacolovinciano.org; 3ª/dom. 8h15/19h;  € 6.50 + € 1,50 da reserva) com, no mínimo, 20 minutos de antecedência ao horário de sua visita para retirar o ticket na bilheteria. Afinal, você não gostaria de perder a oportunidade de ver a mais importante obra de Leonardo da Vinci, A Última Ceia, por chegar atrasado, certo? E aqui eles são super pontuais.
Ao sair, já na hora do almoço, rume para o Il Bolognese (Corso Genova, 3, 02/5810-0824; 2ª/sáb. 12h/14h45 e 19h15/0h – cozinha fecha às 23h; Cc: A, D, M, V), uma cantina tradicional, com ambiente bem típico, rústico e funcionários à moda antiga. Há um bufê de antipasti, no qual você poderá provar o excelente presunto cru com figo e melão. As massas feitas à mão são de excelente qualidade. Destaque para o espaguete à bolonhesa e para a lasanha verde. Mas a especialidade da casa é o fritto misto all' Emiliana, um fritado de frango, carneiro, maçã e abobrinha. A refeição, com taça de vinho e couvert, vai custar cerca de € 25.
À tarde, uma boa pedida é passear pelo Parco Sempione (entradas pelas Via Pagano, Via Bertani, Piazza Castello, Viale Elvezia, Viale Milton, Viale Gladio, Viale Alemagna e Viale Legnano; jan/fev e nov/dez 6h30/20h, mar/abr e out 6h30/21h, mai 6h30/22h, jun/set 6h30/23h30), um enorme jardim recheado de lagos. Leve uma canga e escolha uma sombra para descansar (isso também é turismo). Depois, aproveite para visitar o Castello Sforzesco (Piazza Castello, 02/8846-3700, milanocastello.it), uma fortificação do século 14 erguida pela família Visconti, cuja entrada é grátis. E termine o dia com uma refeição bem italiana – pizza! Há quem diga que a melhor da cidade é a da Pizzeria Grand’Italia (Via Palermo, 5, 02/877-759; 12h/14h45 e 19h//2h - a cozinha fecha às 23h30), famosa pela massa grossa. Vive lotada, o que é um ótimo sinal. A compensação: uma conta de € 12 por pessoa.


Faça as contas
Transporte (bilhete diário de metrô): € 3
Entradas para as atrações: € 8
Refeições: € 37
TOTAL: € 48

DIA 3 - O outro lado
  
Vale começar o dia na Pinacoteca de Brera (Via Brera, 28, 02/8942-1146, brera.beniculturale.it; 3ª/dom. 8h30/19h15; € 5), uma das maiores galerias de arte da Itália. Caravaggio, Bellini, Tintoretto, Raphael e Piero della Francesca são apenas alguns exemplos do que você verá. É fácil gastar o dia todo por ali, mas o ideal é reservar a manhã para explorar Milão um pouquinho mais no último dia. E emendar com um almoço no Brek (Piazzeta Umberto Giordano, 1, 02/7602-3379, brek.com; 12h/15h e 18h30/22h30), ali nos arredores, que tem um ótimo bufê self service recheado de produtos regionais e frescos, a cerca de € 15 por pessoa.
À tarde, dá para passear pelo delicioso bairro do Brera, o lugar das lojas bacanas, dos cafés, dos artistas, dos estudantes de Belas Artes. Na happy hour, a boa é seguir  para o Navilgli. Há vários bares para escolher à beira dos canais, caso do Spazio Movida (Ascanio Sforza, 41, 02/5810-2043, spaziomovida.it; 18h/2h; Cc: V). E lembre-se: você paga a bebida e os petiscos são de graça! Espere gastar € 15 com as bebidas e voltar feliz da vida para o hotel. Quer despedida melhor? 


Faça as contas
Transporte (bilhete diário de metrô): € 3
Entradas para as atrações: € 5
Refeições: € 30
TOTAL: € 38


ONDE É MELHOR

FICAR
O Vietnamonamour Bed and Breakfast (Via Alessandro Pestalozza 7, 02/7063-4614, vietnamonamour.com; diárias desde € 120) é simples, aconchegante, e tem apenas quatro quartos. Perto do Quadrilátero de Ouro fica o Town House 31 (Via Goldoni, 31, 02/70-156, townhouse.it/th31/; diárias desde € 179 para pacote de 3 noites; Cc: A, D, M, V), que se autointitula um pequeno hotel-butique. Está instalado num charmoso edifício do século 19. Seu irmão Town House 8 (Via Silvio Pellico, 8, 02/3659-4690, townhouse.it/th8; diárias desde € 297; Cc: A, D, M, V) é para poucos e bons. Em outras palavras: para quem quer ter o gostinho de se hospedar dentro da Galeria Vittorio Emanuele II (e pagar por isso, claro).

2 de junho de 2010

Viagem e Turismo - O Barato da Itália - Milão


Já está nas bancas o Guia Temático O Barato da Itália, da Viagem e Turismo. A mim coube a difícil tarefa de sugerir roteiros diários com custo máximo de 50 Euros na cidade mais cara da Itália: Milão (p. 22 a 29). Parque, Castelo, obras de arte, comidinhas ... vale tudo, até lamber vitrines! Boa leitura!

16 de maio de 2010

VIAGENS DE CLAUDIA - Revista Elas e Lucros n. 12



Você acaba de retornar daquelas férias maravilhosas que tanto planejou. Corada, revigorada e de bom humor entra no elevador da empresa no dia em que retornará ao trabalho. Sua energia boa extravasa, contagia os demais (que, diga-se de passagem, estão evidentemente mal-humorados). Até que alguém, de lá do fundo grita seu nome, e diz: "Fulana, quanto tempo que eu não te via!!!"
Você, mantendo o bom humor e o sorriso no rosto diz: estava em férias. Estou voltando hoje. E lá vem: “De novo em férias? Você vive em férias! Para onde você foi?” E tão logo você revele o país ou cidade que visitou, surge uma dica imperdível, seguida de uma frase mais ou menos assim: “ai, que pena que você não visitou este lugar ... se a gente tivesse se falado antes....” O elevador abre e você sai, aliviada.
No início, aquilo incomoda um pouco. Mas depois passa, você esquece. Especialmente se programou sua viagem, se curtiu a fase de escolher o que fazer, para onde ir. Até mesmo porque a sua viagem não é necessariamente a viagem do outro, e vice-versa.
O que na verdade é bem pior que isso é estar em determinado lugar que sempre sonhou, ter a oportunidade de fazer alguma coisa única e, no fim, se dar conta de que não o fez porque simplesmente vacilou. Explico.
Sonhei com a Provence desde o dia que assisti Um Bom Ano, de Riddley Scott. Programei a viagem com muitos meses de antecedência, uns sete eu acho. Guias, livros, revistas, pesquisas na internet, tudo. E a viagem foi, de fato, maravilhosa. Além de tudo aquilo que havia escolhido conhecer, o fator surpresa surge e torna a viagem ainda mais especial: a cidadezinha diferente que o dono do restaurante indicou, a feira livre que surgiu no meio do caminho, uma atração que descobri no centro de informações turísticas da cidade, uma festa típica, o prato ou o vinho desconhecido.
Ao pedir informações de como chegar ao Cânion do Rio Verdon (Gorge du Verdon), foi sugerido ter como ponto de partida a altamente recomendável e charmosa cidadezinha de Moustiers Sainte-Marie (www.moustiers.fr).
Realmente a cidade é surpreendente. Pequena, linda e bem cuidada, fica praticamente encravada nas pedras. As oliveiras por toda a parte, o barulhinho de água do rio escorrendo pelo meio da cidade, as ruas desertas  e o silêncio durante a noite criam uma atmosfera única. E algo ali parece de mentira: a enorme colina, com sua longa escadaria e, no topo, a Capela de Notre-Dame-de-Beauvoir. Dizem que de lá há uma vista encantadora do cânion.
E sabe o que eu fiz? Não subi, de pura preguiça. E foi preciso tempo para perceber a besteira que eu tinha feito ... tempo o suficiente para não dar mais para voltar atrás.
Algo parecido aconteceu também na Espanha, em Formentera (www.turismoformentera.com), a menor das Ilhas Baleares (as demais são Maiorca, Minorca e Ibiza). Eu era totalmente obstinada por este lugar, que conheci através do filme Lúcia e o Sexo, dirigido pelo cineasta espanhol Julio Médem. Embora eu ame o filme, há divergências acerca do bom gosto de seu roteiro; já escutei opiniões de todos os tipos. O que me parece inquestionável é a beleza natural do lugar e o quanto isso se faz presente na vida de seus moradores. As cenas em que os personagens adentram as cavernas, chamadas covas, e, de um buraco no solo,  caem bem próximos ao mar, revelam a intimidade entre a ilha e seus habitantes. E essas covas estão por lá, algumas perigosas e outras, nem tanto, convidando o turista a uma pequena aventura. Preciso dizer o que eu fiz ? Ou melhor, o que eu não fiz!?!
Talvez isso tenha uma explicação: tenho ao menos uma desculpa para voltar!
Para dicas de roteiros em Formentera e na Provence, acesse o meu blog (http://aviagemcerta.blogspot.com).


27 de abril de 2010

Blog português indica A Viagem Certa aos amantes da boa comida

O Travel.pt de Portugal nos indicou para aqueles que gostam de comer bem: "No seu Blog A Viagem Certa, Claudia descreve, além das suas viagens pelo mundo, a maravilhosa viagem das papilas gustativas." Confira mais no post São Paulo e seus sabores.

18 de abril de 2010

VIAGENS DE CLAUDIA - Revista Elas e Lucros n. 11



Com lágrimas nos olhos, estaciono o carro em Torvizcón. Não conheci meu bisavô, mas estar ali, na cidade dele, a cidade em que ele nascera em 1886, era algo muito especial. Tentava imaginar como ele partira, em meio aquelas montanhas distantes, rumo à Piracicaba, por volta de 1900. Como partiram? Sabiam que nunca mais voltariam? Sabiam para onde estavam indo? E porque o Brasil? Queria que minha mãe e minha avó estivessem ali comigo. Queria que sentissem o que eu senti, por um minuto ao menos.
Ansiosa, com a cópia da certidão de nascimento de meu bisavô embaixo do braço, avisto a igreja, no topo do pueblo. Na primeira ladeira meu marido e eu já somos reconhecidos (os típicos turistas) e os locais nos oferecem pousada, restaurante, vinho e melão. Agradeço e resolvo pedir indicação para subir até a Iglesia. Sigo ladeira acima. Dou com o nariz na porta: a igreja estava fechada. Mas quando me dou conta, a carteira está pondo correspondências numa portinha bem ao lado. Ela me explica que o padre está em outra cidade e, simpática, se despede. No desespero, falo com uma senhora vizinha, pedindo ajuda. Ela me manda procurar a Paquita, mulher de Agostin, que costuma ajudar nas atividades da paróquia. E como acho a Paquita? A resposta é óbvia: pergunte a qualquer um, todo mundo conhece a Paquita.
Então, apresso o passo para alcançar a carteira. Ninguém melhor do que ela, a carteira Loly, para nos levar até a Paquita. Bingo. Loly confessou saber exatamente onde moram cada um dos 700 habitantes de lá. Em dois minutos estávamos frente a frente com Paquita, a simpática mulher de Agostin. Meio sem graça, ela nos diz não saber como ajudar. Então, cogito lhe deixar a cópia da certidão de meu bisavô, e mais vinte euros para postar a certidão, caso a encontre. Tudo certo! E, esperançosa, dou adeus a Loly e a Paquita. Ladeira abaixo rumo ao carro. Novamente nos oferecem pousada, restaurante, vinho e melão.
Decido comprar o famoso doce de figo que havia lido em algum guia e a sorridente Maruja nos leva até a sua Pensión Moreno. Ela mostra sua produção caseira de vinho, no porão de sua casa, vende o tal pan de higo, postais e alguns recuerdos (precisava trazer algo de lá para a família). Oferece bolo de maçã, que, por sorte, não recusei. Seria estúpida se recusasse. Era divino. Ela tentou me ensinar, mas em espanhol, difícil. Ë melhor mesmo, porque nunca seria igual, não igual ao dela, não igual ao que comi em Torvizcón.
Então, com um sorriso ainda maior nos lábios, ela me diz: "Vou lhe dar um pouco de erva buena .Quer um pouco de erva buena, não quer!?! Meu Deus, penso eu! Erva Buena?!?! Com receio, digo que sim. Ela some. Silêncio no ar. Ela resurge, com um saquinho plástico na mão. Ela me entrega e diz que é para colocar em cozidos, carnes e para ensopados. Ufa!!! Ela abre o saquinho, bem no meu nariz: menta, a mais pura menta! Mas não a que conhecemos aqui no Brasil, não a nossa hortelã. É erva buena! O saquinho está em casa. Talvez eu crie coragem de usar. E a Igreja, a Loly, a Paquita, o vinho, o melão e o pueblo de 700 habitantes estão na minha memória, para sempre! Assim espero.
Torvizcon fica num dos vales das Alpujarras de Granada, região que até a metade do século XX era isolada do resto da Espanha por montanhas de até 3 mil metros. Lá também ficam Bubion, Pampaneira e Trevelez, cidades praticamente dependuradas nas encostas das montanhas. Por aí, você já pode imaginar as estradas para chegar. Em um passeio de um dia é possível conhecer a região.

COMO CHEGAR À ANDALUZIA
  • Há vôos diretos de São Paulo a Madrid. De lá, pegue outro vôo para Granada ou Sevilha.
  • Separe de oito a dez dias e alugue um bom carro (air bag, freios potentes e com boa estabilidade), pois as curvas são de dar frio na barriga. Embora locadoras conhecidas mundialmente sejam mais caras, elas oferecem maior segurança ao consumidor.
  • Visite Granada, Sevilha, Ronda e região, Tarifa e o Parque Nacional do Cabo da Gata. Esses últimos dois destinos são praias. Conheças as cidadezinhas!
  • Para tapear (comer tapas) em Granada, sugiro fugir dos pontos turísticos e ir direto para a Plaza de la Pescaderia, nos bares Cunini e Oliver. Peça chope, e as tapas (maravilhosas!) são por conta da casa.
  • Fique atento, pois no verão o calor é de doer. E permita-se fazer a siesta, pois ninguém é de ferro!
  • Com 150 euros por dia é possível pagar hospedagem e alimentação para o casal. Para a diária do carro, reserve não menos que 70 euros.
  • Sugestão de roteiro completo: http://aviagemcerta.blogspot.com/search/label/Andaluzia 


    14 de março de 2010

    VIAGENS DE CLAUDIA - Revista Elas e Lucros n. 10



    Quando o assunto é viagem é possível encontrar orientações sobre como escolher o destino, quantos dias viajar, onde se hospedar, qual meio de transporte usar, como organizar o orçamento, como planejar o roteiro, o que levar na mala. Mas há um aspecto tão ou mais importante que tudo isso no qual não se fala, ao menos não tão abertamente: com quem viajar e com quem não viajar. Resolvi falar sobre isso porque perdi a conta das experiências catastróficas que já ouvi. E posso garantir, ninguém volta para casa feliz, fica uma manchinha negra na história daquela viagem.

    Não tenho a pretensão de listar uma dúzia de características pessoais que, se preenchidas, afastarão em definitivo a sua melhor amiga de seus planos para as próximas férias. Afinal, ninguém melhor do que você para saber se alguém pode ou não te acompanhar naquela viagem tão sonhada. Mas responder as indagações baixo pode evitar que seu sonho se transforme em pesadelo e sua amiga, em inimiga. E lembre-se de ser verdadeira: não construa sua própria armadilha.
    1. Há identidade orçamentária? As viajantes não tem que dispor de valores idênticos, mas precisam ao menos pretender o mesmo padrão de viagem. Ficar em albergue e andar de trem pode ser incompatível financeiramente com hospedar-se em hotel de charme e alugar carro.
    2. Comer é importante? Se você não abre mão de café-da-manhã, almoço e jantar e sua amiga prefere pular o almoço e fazer uma única refeição além do café, isso pode se tornar um problema. A parada para o almoço, essencial para um, para o outro pode estragar o delicioso dia no parque ou no museu da outra.
    3. Comer bem e conhecer a culinária local está entre os objetivos da viagem? Tem gente que passa a Mac Donald's todos os dias. Outros, precisam de um bom restaurante, não só para matar a fome, mas para saciar a curiosidade, o desejo e a gula.
    4. Acordar cedo, acordar tarde ou sequer ter horário para acordar? Em minha primeira viagem à Europa na companhia de uma grande amiga, colocávamos despertador todos os dias pela manhã, bem cedo, e fizemos isso durante 7 semanas. Daí surgiu o slogan da viagem: “Temos que correr”! Hoje é totalmente impossível me imaginar num esquemas desses. Mas quem curte isso certamente não se permite fazer o oposto e isso pode causar um grande impacto no decorrer da viagem. Já agüentou o mal-humor de alguém que não suporta acordar cedo?
    5. Qual o tipo de turismo pretendido? Se você faz questão do corre-corre para ticar todos os pontos turísticos listados como obrigatórios pelos guias, dificilmente se adaptará às andanças de sua amiga que quer descobrir e explorar a vida local em pequenos bairros da periferia. E vice-versa.
    6. Turismo religioso é interessante? Se você odeia igrejas e sua amiga ama, é pouco provável que ela consiga, por exemplo, convence-la a passar o dia na cidade de Fátima, em Portugal, destino tipicamente católico.
    7. Como você anda? A pé, de transporte público ou táxi? Conheço gente que não pega um metrô, ainda que seja para andar quatro quilômetros, porque quer respirar cada minuto da cidade. Mas também conheço gente que é doidinho por um táxi, mesmo que seja para andar 400 metros no trânsito caótico de Roma ou Paris. E há quem anda o quanto agüenta, pega o metrô para chegar à determinado lugar mais distante e, até se permite a, no fim da viagem, rachar o táxi.
    8. Comprinhas são amadas, admitidas, toleradas ou vetadas? Há quem não ligue a mínima para compras, e leva para casa, no máximo, o pôster do quadro que mais curtiu no museu. Há outros que querem comprar tudo: roupa, sapato, comida, decoração, cama, mesa e banho! Se as amigas estão entre as que admitem e toleram, ótimo. Mas os opostos aqui certamente não se atraem!    Se concluir que as diferenças entre vocês são poucas e há tolerância de ambos os lados, maravilha. Senão, preserve a amiga e preservará também as férias de cada uma! Boa viagem.

    19 de fevereiro de 2010

    VIAGENS DE CLAUDIA - Revista Elas e Lucros n. 09



    Minha avó amassava o pão e meu avô batia a manteiga. Posso fechar os olhos e ver o movimento frenético das mãos dele, numa tarde de inverno, durante as férias em Águas de Lindóia. Imagine que são necessários de 10 a 15 minutos na batedeira para transformar 1 litro de creme de leite fresco em manteiga. E algumas horas depois, pão quentinho, com manteiga derretendo e café. Café para todo mundo, até para o neto mais novo que sequer tinha dois anos de vida.
    Em dia de almoço de família, a mesinha da cozinha se abria e dobrava de tamanho e, em alguns minutos, a toalha estampada azul escuro estava coberta de fios gigantes de macarrão, recém-saídos da máquina. Era uma loucura porque todo mundo queria brincar um pouco com a tal máquina. Nós, as crianças, ficávamos com a parte de passar a primeira massa, que tira um pouco da sujeira das engrenagens.
    Na mesma mesa também se cortavam os nhoques e, ali, eles descansavam. Minha avó cobria com pano de prato, para proteger de moscas e filhos, genros, noras e netos famintos e desesperados que comem nhoque cru! Ela dizia que daria dor de barriga. Dava nada! Era praticamente só batata, pouca farinha. O nhoque dela flutua de tão leve. É desses que não se encontra em lugar algum. É preciso coragem praa ir a um restaurante e pedir nhoque. Se bobear, depois de comer  você não levanta da cadeira, seu peso duplica. A propósito, não posso ser injusta. Há dois lugares em São Paulo em que o nhoque vale à pena: Café Toscano, em Moema, e Buttina, em Pinheiros.
    Há pouco tempo, não sei se por obra do meu inconsciente ou da minha consciência, me vi programando uma viagem que trouxe tudo isso à tona, as lembranças desses sabores, aromas e afetos. Um certo dia em que, para variar, eu pensava o que seriam das minhas próximas férias, já que estaria sozinha, praticamente caiu do céu a reportagem sobre cursos de culinária de uma semana na Europa. E se era para fazer isso, pensei, tenho que fazer direito: o país é a Itália e o local, uma pitoresca cidade da Toscana, próxima a Florença.
    Decidida, prometi comer de tudo. Antes, uma estadia preparatória em Florença: brusqueta no café-da-manhã (que delícia), entrada, primo piato, secondo piato, sobremesa no almoço e no jantar, e sorvete três vezes ao dia (fingia que eram florais, os efeitos são semelhantes!). Chegando lá, eu limpava o prato, ou melhor, todos os pratos. Um dos chefs não acreditava: exibia meu prato completamente limpo aos demais. E, me chamando de lado: “Claudia, você tem que experimentar tudo, mas não precisa comer tudo, ok?” Eu ri! Os ensinamentos católicos da infância foram mais fortes do que eu: deixar comida no prato é pecado!
    Imagine. Você acorda às nove da manhã para aprender fazer o molho de tomate à moda toscana, e preparar dois tipos de nhoque. Depois de 4 horas de trabalho árduo na cozinha, lava as mãos e, enfim, coloca o avental de lado. Senta-se a mesa, olha para frente e vê tudo aquilo ali, ao seu alcance. O que você faria? Eu optei por mergulhar de cabeça no nhoque, meu prato predileto, com gosto de infância, com gosto de casa da vovó. Sim, comi quatro pratos! Neste dia, eu não fui a única. Se bobear, tinha aluno lambendo a travessa.
    Teve também a farra do ravióli colorido. Mas o auge do curso ainda estava por vir. No penúltimo dia, uma programação diferente. Ao invés de fazermos o almoço, cozinharíamos para o jantar. E adivinha o cardápio? Pizza no forno a lenha.  E também faríamos cantutti, aqueles biscoitos de amêndoa durinhos, que acompanham o café em alguns restaurantes italianos (os italianos tomam com vinho de sobremesa).
    Todo mundo pôs literalmente a mão na massa: misturou, amassou e esticou.
    Enquanto isso, alguns golinhos de cerveja, para cá e para lá. A pizza: maravilhosa, a melhor que já comi! O cantutti: divino e fácil de fazer! As férias: inesquecíveis!
    E na mala, algumas dicas preciosas da Toscana:
    1. Para fazer o molho de tomate, não é preciso tirar a pele e a semente. Além disso, outros vegetais darão um sabor especial como, por exemplo, cenoura e erva-doce. (A receita completa está no meu blog: http://aviagemcerta.blogspot.com)
    2. “Pizza se come com cerveja” foi a frase mais dita pela chef Sandra Lotti.
    3. Creme de leite bom é creme de leite gordo, com 80 % de gordura!
    4. Azeite de oliva extra-virgem e um bom queijo parmesão dão vida a qualquer receita italiana!
     E mangia che te fa bene!

    31 de dezembro de 2009

    VIAGENS DE CLAUDIA - Revista Elas e Lucros n. 08

    Na primeira vez que fui para a Europa, não tinha um tostão para gastar em bobagens: curso de inglês de dois meses e mochilão nas costas por mais trinta e cinco dias me permitiram trazer na mala apenas uma blusa de lã do nepal, uma coletânea de quatro cds do The Clash e um anel de prata. Consciente dos meus limites, sem dúvida. Mas eu já tremia diante de uma vitrine. Sempre tremi, minha mãe é testemunha! A “rainha da tranqueira” sempre pronta a gastar até o último centavo.
    Rumo à Europa pela segunda vez, achei que eu merecia me divertir um pouquinho. Então, com quase um ano de antecedência, comecei a comprar alguns euros periodicamente. Fiz a estimativa de custos de hospedagem, alimentação, locomoção e passeios turísticos. Determinei também o valor que eu gastaria em amenidades, futilidades, desejos e o que mais viesse pela frente. Cartão de crédito seria, definitivamente, carta fora do baralho, exceto em caso de emergência. Comprei cinco bolsas, uma dúzia de lenços, bijuterias, chás variados, tênis, blusinhas e outras coisinhas mais que não me lembro agora. Mas respeitei o meu limite! Após três semanas viajando (Praga, Cracóvia, Budapeste, Berlim, Amsterdam e Paris), voltei pra casa feliz da vida com minhas novidades na mala e, o que é melhor de tudo, sem fatura surpresa de cartão de crédito para vencer. E, acredite, voltei com dinheiro para o Brasil!
    Mas, de lá pra cá, em quatro anos, em algum momento, em alguma curva, eu me perdi.
    A minha listinha básica de compras continua existindo: sabonetes, óleo desembaraçante para o cabelo, shampoos, chás, lenços, bolsas, necessaires etc.
    Só que o limite ... ah, eu não mereço ter limites, não é mesmo? Afinal, eu trabalho tanto para quê? E também, quando eu vou voltar a este lugar? Quando terei a oportunidade de comprar isso?
    São essas e outras frases que acabam proporcionando momentos únicos como, por exemplo, roer as unhas até o talo depois de comprar até escorredor de macarrão e lençol na Ikea de Praga.
    Por isso, minha primeira (e mais importante) dica é: não importa o quanto você ganha, se é muito ou pouco, o que conta é o planejamento financeiro da viagem, dentro dos seus limites, é lógico. E quanto antes começa a se programar, mais chances de êxito você terá.
    E aí vai a minha segunda dica: sabe aquele ímpeto de pensar no próximo destino enquanto ainda está curtindo o sol nas férias atuais? Não deixe que ele esfrie e, tão logo volte para casa e à sua rotina, comece a rascunhar sua planilha.
    Terceira sugestão: pesquise preço de passagens e dê preferência às companhias com programa de milhagens. Para não fazer bobagens, leia sempre o regulamento do programa de milhagens. E guarde os extratos mensais impressos pois, caso você seja vítima de um racker e suas milhas simplesmente desapareçam você terá provas para pleitear a devolução pela companhia aérea.
    Quarta sugestão: é aconselhável estabelecer uma verba diária para hospedagem. Pelo padrão de hotel que deseja ficar, dá para fazer uma boa estimativa através de sites de reservas. Se você vai viajar em várias pessoas, alugar apartamento é uma saída considerável.
    Quinta sugestão: estabelecer verba diária para alimentação e passeios. Se você curte museus, teatros, óperas, musicais precisa saber ao menos as principais atrações que deseja visitar, pois isso consome boa parte da grana na viagem.
    Sexta sugestão: lembre-se que carro encarece a viagem! Mas se quer alugar carro, que tal investir nisto e economizar em outra coisa?
    Sétima sugestão: separe uma verba específica para desejos pessoais e amenidades. Se você é das minhas e pretender comprar desde lenços até edredons, passando por velas, casacos, pijamas, chocolates e torradeira (como é linda minha torradeira estampada que trouxe de Paris!), tem que ter uma verba pré-estabelecida para isso.
    Oitava sugestão: estabelece penalidades para não estourar os gastos. Suponha que sua verba diária seja de 100 euros. Se num dia gastar apenas 80, os 20 restantes podem ir para um fundo com destinação específica. E se gastar 120 euros num dia, no dia seguinte sua verba cai para 80!
    Nona sugestão: anote tudo. Isso será útil nesta e em outras viagens. E lembre-se: anotar todos os gastos não é coisa de pobre, mas de gente inteligente!
    Décima e sugestão: deixe o cartão de crédito no cofre do hotel. Se você seguir todas as outras dicas, isso acontecerá naturalmente, porque você não precisará dele!

    27 de setembro de 2009

    VIAGENS DE CLAUDIA - Revista Elas e Lucros n. 07

    Agora, além do blog, algumas das minhas dicas vão estar na coluna VIAGENS DE CLAUDIA, na revista ELAS e LUCROS. Confira  primeira coluna!



    Ela gosta de comer. Eu também. Ela gosta de beber. Eu também. Ela gosta de viajar. Eu também. Ela, com seus cinquenta e poucos anos, casada e sem filhos e eu, com meus trinta e poucos, casada e sem filhos: vinte anos de diferença que fazem dela uma professora, uma mestra que escolhi seguir. Quando crescer, quero ser igual a ela!
    Coincidência, destino ou sei lá o quê. Cada um chame como quiser. Para mim, o que menos importa é o nome. Há uma verdade incontestável: algumas pessoas têm um papel, uma tarefa a cumprir na vida de outras. A Soninha apareceu na minha vida e ajudou a despertar algo em mim.
    Há seis anos quando a conheci, minha visão de mundo, minha filosofia certamente eram outras, bem distintas do que eu tenho hoje como ideal de vida.
    Com ela eu aprendi que a vida pode sim ser encarada como a busca do prazer, sem culpa.
    Dentro de um espaço bem restrito (nossas singelas baias de advogadas não têm mais de cinco metros quadrados!), nossos sonhos e nossas trocas de confidências não têm limites.
    Num dia, eu lhe dou a receita do gaspacho que, cuidadosamente preparado pelo marido dedicado, ela tomará por cinco dias depois de operar a boca.
    No outro, ela me explica como chegar as Termas de Puyuhuapi no Chile: de Santiago, três horas de vôo e mais sete de van, com direito a tomar uísque com gelos das geleiras da Patagônia. (e eu fui!)
    Depois, ela me conta do calor insuportável que passou no Egito, coisa que eu, provavelmente, não aguentaria!
    Daí eu a levo para comer a melhor esfiha de São Paulo (no restaurante Tenda do Nilo).
    Ela me conta de sua viagem à França, fala do Monte Saint Michel e da cidade em que Joana d’Arc morreu queimada e, depois, me contrata para fazer um scrapbook da viagem.
    Eu, enlouquecida, encontro na internet a sentença de execução de Joana d’Arc (coisa de advogado), estudo a vida de Monet e termino o álbum com a maior satisfação, apaixonada pela França.
    Ela me indica filmes para que eu leve a uma pousada, para passar o feriado do Carnaval. Quando volto, tudo o que quero é que ela conheça a pousada (Quinta dos Pinhais, em Santo Antonio do Pinhal). Ela me fala de seu receio de ir ao Leste Europeu. Eu tento convencê-la a ir, falando sobre o Parlamento de Berlim e relatando as delícias que comi em Praga (goulash, cerejas secas, comida típica afegã, etc).
    Ela me conta de sua primeira viagem à Europa, em 1988, e me mostra fotos. Eu lhe falo do meu ¨plano¨ de ir no mínimo dez vezes a Paris antes de morrer, comer magret de canard (peito de pato) e ver a torre Eiffel.
    Ela me fala do barreado do restaurante Tordesilhas. Eu lhe provoco ao descrever o sorvete de paçoca do Fred Frank, que ela ainda não provou.
    Logo, logo, ela vai se aposentar... Eu vou sentir demais!!!
    Mas há algo dela em mim que não vai mais mudar: hoje, vejo a vida de outro jeito e o que eu quero é ter prazer em comer, beber e viajar, simples assim!
    E, para seguir em frente, tive que me organizar. Hoje, meu orçamento pessoal prevê necessariamente gastos com restaurantes e, claro, uma boa parcela para atingir meu grande sonho: conhecer o mundo!
    A partir desta edição vou contar um pouco da minha paixão por viagens e como consegui chegar a lugares que, no passado, eram apenas sonhos. Sonhos que consegui realizar inspirada no exemplo e no pique da minha amiga.